Entristeço-me muito pelo fato de ter que acordar todos os dias e ser forçado a mais uma vez engolir a seco uma boa dose tomada no copo sujo da inumanidade. Salvo por algumas manifestações do contrário e também pelo fato de que, junto de todo levante irrompe o sol por trás das escassas montanhas do verde genuíno que vem lá dos povoados da rainha, esposa do rei colossal.
Sinto-me um cavaleiro do reinado da filantropia. Desgastado e sugado diariamente devido as árduas lutas travadas contra essa misantropia onipresente que atormenta-me deveras a cabeça e ainda mais aquele orgão muscular que bombeia o sangue e, como profere a lenda, que produziu e ainda produz o leite mais gostoso da história. Aquele bebido apenas pelos reis maiores, os animais sagrados e alguns outros poucos.
Vejo em presença as cenas que posso, com os olhos através da caixa televisiva as que não poderia em corpo, e em sensações as não plasmadas. Enxergo o espectro do racismo explicitamente implícito. Sinto a distância o olor fétido que exalam os bueiros da segregação social latente, tampados com a rolha ainda molhada de sangue na beira, do vinho bebido na boca pelos ditos democratas.
Vou procurando manter-me em pé e com forças extraordinárias alimentadas no amor e na natureza. A esperar todos os dias ver acordar e dormir as verdadeiras maravilhas do mundo. Sigo em diante aguardando esbarrar com os existentes, porém escassos, humanos. Que atravessem fulgurantes a minha estrada. Fácil notá-los, não pela sua cor ou sapato que usa. E sim pelo sorriso puro e olhar vívido. Pela sinceridade expelida junto as palavras que cantam. E são esses os que, apesar dos estorvos, ainda conseguem suster em si o amor por si, pela vida e pelo o outro.