quarta-feira, 22 de julho de 2009

São Conrado

Hoje fui a São Conrado encontrar amigos queridos. Cheguei um pouco antes que os dois e aproveitei para um mergulho no poço da longevidade. Logo dei as costas para São Conrado e fiquei defronte ao gigante pedaço de água que desemboca no horizonte. O mergulho, único, distinto em sua singularidade assim como foram todos os outros, cada qual com sua importância e pertinência casual. Depois de embebido e brilhoso do mais puro sal, fiquei diante agora desse imenso santo.
Como me instigavam repugnância aqueles prédios altos à beiramar que não satisfeitos com as manchas de dejetos lançadas ao mar, sujavam também as areias com sua sombra gelada. Na autopista os carros velozes e vistosos estavam enfileirados, andando feito presidiários, o que de fato eram, verdadeiros detentos de si mesmo, de suas tolas idéias e enganosa felicidade. A gigante favela que virou ponto turístico já destruíra quase que por completo um lindo morro no qual deveriam andar as vacas e não os porcos humanos. As bolas de golfe atravessavam meus olhos feito projéteis pesados de desigualdade a procurar um alvo. Quanta contradição.
Assim minha visão já tinha avistado quase todo o panorama, quando à minha esquerda vislumbrei a imponente pedra, lançando-se sobre os próprios ventos, coroada pelo céu azul e adornada pelas nuvens em forma de folhas alaranjadas a esperar o descanso. E ali refleti a respeito de São Conrado.
Como não gosto dos carros em milhares e das ruas grandes de São Conrado. Como deploro não se poder andar apenas a pé por lá. Como lastimo deixarem ter cometido aquela atrocidade naquele vasto morro. Como lamento terem autorizado erguer aquele muro em frente ao mar. Não obstante, chego novamente ao antigo impasse. Qual o porquê do meu retorno?
Aquela pedra. Ela faz esquecer-me de todas as iniquidades de São Conrado.