Encerram-se as cortinas de mais um majestoso dia. O sol por essas horas já está deitado em sua cama a sonhar por dias melhores e mais humanos. A luz ainda não apagou de vez, mas a lua já está acesa, feito um pingente no peito do céu azulado. Acordada desde cedo, apesar de nada iluminar, a não ser a alma daqueles que a contemplam.
Do quarto do sol brilha uma cor clara e calma, que contorna com perfeição as sombras das árvores na montanha, fazendo com que seja possível visualizar o desenho de cada uma delas separadamente. Do infinito desceram as adiantadas borboletas, que chegaram um pouco antes da esperada primavera. Dançam pelos cantos da cidade, deixando o mais bonito, muito mais do que é; e o mais feio, com uma esperança que antes era impossível.
Por sobre os alpes, correm umas nuvens minhoca, atadas, porém sozinhas no meio da imensidão. Ficaram para a janta. No parque correm as crianças felizes em volta do lago sujo, mas que cospe água limpa para o alto. As bicicletas voam e os pombos fogem. As pessoas tem máquinas fotográficas nas mãos, mas acabam por tirar fotos de si mesmo, com um largo chão de cimento e um imenso shopping center ao fundo.