quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Mario Ruoppolo

Em vez de peixes, amor e sonhos. Foi isso que o singelo pescador encontrou em sua rede. Dentro dela debatia-se com suavidade a poesia. Ansiosa por ser descoberta e limpa até suas recônditas entranhas.
Através desse achado coloriu sua própria existência. Seu auto-retrato agora se tornara inédito. Cada manifestação em que outrora só sugeria tédio, hoje instigava-lhe a paixão. As tardes de pesca enfadonhas com seu pai, agora retratavam a identidade de um povo aguerrido; o pôr-do-sol repetitivo de cada dia, passou a ter sua singularidade majestosa; a voz do mar em ventania passou a soar feito melodia aos ouvidos; as manhãs dengosas passaram a ter sua devida contemplação; o céu, espelhado no mar, refletia a sua própria alma.
As palavras começaram a propor um novo significado em sua vida, ao perceber que tudo poderia ser objeto de sua inspiração. A morena da cantina desarrumou-lhe o cérebro, e assim, foi encontrar seu trunfo junto as palavras. Jamais teria conseguido expressar seus sentimentos em voz alta ou baixa, com aquele desconcerto que lhe causara. Esparramou no papel em tinta quente todas suas vontades e sonhos. Derreteu a formosa...