Caminhando pelo centro da cidade, especificamente no largo da carioca, ao passar os olhos através das grades que cercam o jardim do metrô, para enxergar bem aquele mato mal cuidado que fazia fundo à elas, avistei o charuto pela metade. Encostado com cuidado sobre a mureta de pedra, e com cinzas a bater, estava ele.
Fiquei a pensar qual teria sido a sua trajetória, até ter sido encostado ali, com aquele carinho. A probabilidade de ter sido o presente mais especial da vida do pomposo mendigo ou de um revolucionário anacrônico fumando um daquele, bem suntuoso e saboroso vindo de uma ilha no caribe, famosa pela fabricação de rolos de folha de tabaco, que logo após ver "CHE" comprou uma caixa deles. É exatamente a mesma.
Face as inúmeras hipóteses que surgiram, fiquei com a mais sensata. Expelido com desprezo, o charuto por decência no se jogou ao mato, para evitar danos. Quem jogou foi o porco empresário responsável pelo metrô. E envolvido naquela fumaça que puxava e soltava com avidez, não sentia cheiro e muito menos conseguia sentir a sujeira incrustada no seu próprio cerne.