O cansaço parece não ter-se exaurido frente as poucas horas de sono. Não obstante o corpo não dá sinais de fadiga. Tentei dormir, mas os sonhos e as ideias falaram mais alto. O vento soprou com força, e uma única estrela ficou a me observar durante toda a noite.
Logo o dia amanheceu, contrariando as expectativas, claro e bonito. Fiquei feliz, pois o mesmo vento que fazia dançar as árvores do topo do morro, irrompia por entre as janelas do meu quarto, e fazia balançar tudo que não se sustentasse com o próprio peso.
Lá no alto, por trás e acima da montanha, via-se passar em carrilhada uma enorme quantidade de nuvens. Grandes e bonitas, andavam rápido, tinham algum destino certo, não sabia se chegavam ou partiam. O céu parecia colorido por uma criança, com cores leves e pueris.
O cachorro preto que parece um lobo, acabara de acordar e estava a se espreguiçar. Assistia com atenção a braveza da folhas agarradas em seus galhos lutando contra o poder da ventania. Do chão não emergiam espíritos, e sim resquícios de um lixo de ontem, ou de anteontem, ou da semana passada. Voavam pelo ar, ganharam asas de repente, estavam há muitos metros do chão, vendo passar ao seu lado pombos e borboletas com o voo ainda um pouco desleixado.
A pequena estrela fitou-me, até essa hora, mesmo com o céu cada vez mais claro. Assisti de pé, da pequena janela do meu banheiro olhando através do reflexo do espelhado prédio da frente, o sol dar umas boas bocejadas por trás dos alpes, logo estará de pé. Nessa hora do dia, até o barulho dos carros torna-se aprazível, acreditando que todos que andam a essa hora, não possuem buzina.
Não voltei mais a fugir daqui, nas tentativas de fechar os olhos fui acordado subitamente por rajadas mais fortes que tremiam as janelas e a faziam falar. Fiquei imaginando como se tudo isso tivesse sido filmado em preto e branco a conotação que daria é a de um dia macabro e de chuva, seria inevitável. Então despertei por completo, infelizmente, pois o vento não entendeu, eu fechava os olhos para tentar me enturmar naquele emaranhado de nuvens branco algodão que agora deve estar a se lançar por cima das mais belas paisagens. Espero encontrar-lhes logo mais.