terça-feira, 2 de março de 2010

O renascimento na morte

Era uma segunda-feira chuvosa, nublada e triste. O frio fazia doer as juntas do corpo. A cidade, voltando aos dias normais depois de mais um, sempre alegre, carnaval. A água que cai dos céus é inédita nesse verão. Molha os transeuntes sob sua tormenta, e entedia os agasalhados, alimentados e secos dentro das casas. Todos anseiam a hora do sono, e lamentam não estar de folga no dia seguinte, para poder deleitar o sono mais profundo.
Entre todos os corpos preguiçosos, existe um, que também o é, mas que revela uma estranha inquietude. Parece ser contrário a ociosidade que prega desde o início da sua vida e, logo naquele dia escuro e insosso, tinha decido-se a mudar de vez a sua realidade.
Cansado do seu descomprometimento consigo, da desmedida preguiça, da descrença inflexível, do casuísmo, do conformismo, e do oxímoro que tinha transformado-se, ele decidiu exterminar todos os seus vermes intrínsecos, e renascer nessa morte, semeando esses espaços mortos, para que um dia dali brotem do cerne as flores mais bonitas e duradouras.
Por trás daquelas nuvens densas, desnpontava no céu sob o conhecimento de poucos, uma lua cheia, repleta de energias e mudanças para a natureza e para humanidade. O homem decidido, viu-se então agarrado em uma fé insólita, da qual não fazia ideia da existência, e sob aquelas grossas gotas, viu sozinho, a lua cheia direcionar-lhe a sua luz por entre todas aquelas nuvens, iluminando-lhe a vida e a alma, para que conseguisse extrair de dentro de si, toda a força que lhe faltara antes para seguir à diante o seu caminho.
No dia seguinte, não mais sob a forte enxurrada, ele se levantou, as nuvens continuavam lá, mas ele, mais uma vez só, foi o único a prestar atenção nelas e dar-lhes o devido apreço. Repentinamente despontou por sobre elas um sol manso e indulgente, iluminando-lhe a face e fazendo brilhar seus olhos no próprio reflexo. O homem ali, viu a si mesmo, liberto das correntes fabricadas e amarradas por ele próprio, e pela primeira vez na vida, encarou-o diretamente, e percebeu de imediato a sua força.