Cada passo se faz arrastado, com dificuldade. O peso das pernas e a preguiça de movimentá-las quase me faz desistir. Três bolas de 1 tonelada em cada uma delas e outras duas presas nos pulsos, e uma bola maior, mais pesada ainda, presa na cintura.
A estrada se fez de lama com o tempo ruim, aquele caminho que ostentava uma terra fresca e cheirosa, cercada pelo mais puro verde, se foi. Não existem mais passáros, muito menos borboletas. As vacas e as galinhas, assim como os porcos, se extinguiram. Hoje o caminho é mais difícil, essa viagem poderia ter sido feita ontem, mas como sempre, eu deixei para amanhã.
O corpo vai se acabando dia a dia, e nada muda. Estou parado no mesmo lugar há anos. A lama começa a chegar ao pescoço. A cara já está toda suja, e de limpo e funcionando bem, só me restam os olhos. Enxergo o caminho a minha frente, a preguiça se oferece a todo instante, pedindo que eu desista, sei que cada passo sofrido pode ser em vão, mas já não importa mais, não posso deixar mais nada para amanhã.